
A Campanha Salarial dos trabalhadores dos Correios chegou a um momento decisivo. Depois de meses de mobilização e resistência na negociação, a direção dos Correios levou o impasse para uma mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e, na audiência realizada em 1º de setembro, que se estendeu por várias horas, não houve acordo.
No processo de conciliação foi apresentada uma proposta com reajuste de 4,37%, correspondente ao INPC, sobre salários e benefícios, com vigência de dois anos. A proposta prevê a manutenção das cláusulas da sentença normativa, exceto quatro pontos que estão judicializados no STF: Ticket Peru, pagamento de 70% nas férias, remuneração de 200% dos repousos trabalhados e Plano de Saúde.
Isso significa que estamos diante de uma proposta que precisa ser analisada com muita responsabilidade. Não basta olhar apenas para o índice salarial. Uma negociação coletiva envolve direitos, condições de trabalho, saúde, emprego e o futuro da própria empresa.
Por isso, a Assembleia Nacional Unificada do dia 10 de setembro é fundamental. Na Paraíba, os trabalhadores decidirão na sede e na subsede do SINTECT-PB sobre a proposta e sobre a deflagração da greve, com indicativo de início à zero hora do dia 11. No Paraná, o SINTCOM-PR, e em Minas Gerias, o Sintect-MG, também convocam a categoria das suas bases territoriais para a Assembleia Geral, descentralizada, no dia 10.
A decisão da categoria será soberana. Mas uma coisa precisa estar clara: uma assembleia massiva aumenta nossa força na mesa de negociação.
Precisamos pressionar não apenas a direção dos Correios, mas também o Governo Federal, pois a direção da empresa não age no vazio. Quem administra os Correios e sustenta politicamente sua gestão também precisa responder pela reestruturação, pela redução de efetivo, pelo fechamento de unidades, pela sobrecarga e pelos ataques aos direitos trabalhistas.
A luta passa, também, pela política de fortalecimento da empresa pública. No Congresso Nacional, durante a discussão da Medida Provisória sobre as encomendas internacionais de até US$ 50, chegou a ser debatida uma proposta para garantir aos Correios exclusividade no transporte dessas remessas, mas a iniciativa não avançou e ficou fora do texto aprovado.
O Congresso, com sua maioria de parlamentares favoráveis às privatizações, tem responsabilidade por essa decisão. Mas também é legítimo cobrar do Governo Federal maior empenho político para defender medidas capazes de ampliar mercado e receita dos Correios.
É contraditório apresentar rapidamente PDV, redução de pessoal, reestruturação e retirada de direitos como respostas para a crise, enquanto oportunidades de fortalecimento da receita da empresa não recebem a mesma prioridade.
O sindicato existe para informar, organizar, defender direitos e construir força coletiva para conquistar avanços, não para convencer o trabalhador a aceitar qualquer proposta apresentada pela empresa. Unidade sindical tem que ser unidade para lutar.
Para evitar a greve a direção da empresa deve apresentar soluções concretas. E, se não houver avanço, a categoria precisa estar preparada para parar. A recuperação dos Correios não pode ser feita nas costas dos trabalhadores. Queremos investimento, novas receitas, serviço público de qualidade e valorização de quem sustenta diariamente esta empresa.
NÃO SE SALVA OS CORREIOS CORTANDO DIREITOS E ABRINDO MÃO DE RECEITA
DIA 10, TODOS À ASSEMBLEIA!
NENHUM DIREITO A MENOS!
SE NÃO HOUVER AVANÇO, A RESPOSTA É MOBILIZAÇÃO E GREVE!