
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (Seduc-SP) convocou menos da metade das vagas previstas no concurso de 2023 (Edital n.º 01/2023) e já iniciou o processo de credenciamento para a contratação de temporários, além de avançar na seleção da banca organizadora (FGV) para um novo concurso de efetivos.
Conforme publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, em junho de 2026, a Seduc deu um passo importante rumo ao seu novo concurso público para o cargo de Professor efetivo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi classificada como banca habilitada no processo de pré-seleção.
O edital do concurso para efetivos ainda não foi publicado e os professores aprovados em 2023 estão se mobilizando para exigir a prorrogação do mesmo. Das mais de 100 mil vagas totais apontadas no certame de 2023, apenas cerca de 15 mil aprovados foram convocados. O prazo para a prorrogação venceu em 19 de julho deste ano e são milhares de professores que atuam na rede como contratados sem direitos, aprovados no concurso, à espera da convocação para serem efetivados.
A Apeoesp, sindicato da categoria, afirma que a realização de novo concurso não faz sentido, uma vez que há mais de 100 mil candidatos aprovados, em todas as disciplinas, aguardando chamada. O sindicato oficiou ao governo do Estado e à SEDUC pela prorrogação.
O concurso de 2023 ocorreu após mais de 10 anos sem a realização de um concurso na rede estadual paulista, o que fez aumentar o número de contratados, impondo a realidade do trabalho precarizado nas escolas. A nomeação de apenas 15 mil vagas constituiu-se em mais um instrumento de opressão dos professores contratados, que já somam mais de 100 mil na rede, algo perto de 50% da categoria. Além disso, a Seduc exigiu a prova prática em que os candidatos enviaram uma videoaula, responsável por 40% da nota final. Alguns professores chegaram a fazer curso com produtores de conteúdo online para prepararem sua videoaula e agora veem a esperança de nomeação se desmanchar.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu Secretário da Educação, o empresário Renato Feder, criaram uma grande farsa midiática para esse concurso divulgando nos meios de comunicação a oferta de cargos cujos salários poderiam chegar a 13 mil reais, algo inexistente na carreira docente paulista, e escondendo que o concurso admitirá profissionais para trabalhar sob a “nova carreira” instituída pela lei n. 1374, aprovada em março de 2022, que destruiu mais direitos da categoria.
Tarcísio e Feder aprofundam os mecanismos de precarização do trabalho docente, para favorecer a inserção de grupos privados na Seduc. O cerceamento do trabalho do professor, a obrigatoriedade do uso de materiais feitos para a Seduc, sem a opinião da comunidade escolar, a manutenção do modelo do Novo Ensino Médio, assim como dos projetos excludentes de escolas integrais paulistas, que fecham salas e turnos em todo o estado, representam a destruição da possibilidade de uma educação de qualidade para os filhos da classe trabalhadora.
No entanto, apesar de todos os problemas da nova carreira, a efetivação garante melhores condições de trabalho ao dar uma estabilidade relativa aos ingressantes. É preciso organizar a luta pela prorrogação do concurso de 2023, junto à exigência da revogação da Lei 1374. Também deve estar na pauta de lutas da categoria, a estabilidade para os contratados com tempo de serviço.
Educação de qualidade passa por professor valorizado!
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