
O sumiço de mais de mil itens históricos do Palácio das Mangabeiras revela o profundo desprezo da gestão neoliberal de Romeu Zema (Novo) e de seu sucessor, Mateus Simões (PSD), pela memória cultural e pelo patrimônio público de Minas Gerais. Sob o pretexto mercantilista de "cortar privilégios", o governo privatizou o uso do imóvel projetado por Oscar Niemeyer para eventos privados da elite mineira, deixando um rastro de destruição e o desaparecimento sistêmico de relíquias artísticas.
O escândalo explodiu após fiscalizações alarmantes da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Parlamentares da bancada de oposição acionaram formalmente a Polícia Federal e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para apurar o caso.
A varredura realizada por parlamentares constatou que as dependências do palácio, outrora ricas em história coletiva, foram completamente esvaziadas. Restaram apenas cinco móveis originais no local: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano.
Durante a campanha eleitoral, Romeu Zema surfou na onda do falso moralismo da direita ao prometer criar no local o "Museu das Mordomias". A farsa da austeridade, no entanto, abriu caminho para a privatização do espaço público. O imóvel, que integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral e é protegido pelo IPHAN, foi repassado à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e entregue para exploração comercial, como a mostra de arquitetura de luxo Casa Cor.
Denúncias levadas ao TCE-MG apontam que a estrutura física do palácio sofreu danos irreversíveis provocados por cupins nas portas, fiação exposta e infiltrações graves, enquanto diretores da Codemge usavam a estrutura para a realização de banquetes e festas particulares.
A conivência das elites governantes com o apagamento cultural mobilizou parlamentares do campo progressista. A deputada Bella Gonçalves (PT) protocolou uma notícia-crime na Polícia Federal exigindo a responsabilização direta de Romeu Zema e de Mateus Simões por crime contra o patrimônio público. Paralelamente, o deputado estadual Leleco Pimentel (PT) conquistou a abertura de uma auditoria no TCE-MG para exigir a exibição do inventário oficial, que o governo do Estado se recusa a apresentar de forma transparente.
"O desaparecimento integral do conteúdo do Palácio das Mangabeiras é um dos maiores escândalos culturais recentes. Sumiu tudo, tudinho, não sobrou nem o cheiro", denunciou a jornalista Hildegard Angel em suas redes sociais.
Fiel à sua lógica de empresário que enxerga o mundo apenas por meio de planilhas de lucro, Romeu Zema ironizou as denúncias. Em declarações públicas à imprensa, o ex-governador e pré-candidato à presidência minimizou a perda histórica ao classificar o acervo desaparecido como "móveis velhos". Zema chegou ao absurdo de afirmar que o dinheiro supostamente "economizado" por ele ao não residir no palácio cobriria o prejuízo do sumiço dos itens.
Essa postura escancara a visão ideológica da extrema-direita e dos setores neoliberais: a história de um povo, a arte e a cultura nacional não passam de mercadorias descartáveis. Diante do cinismo institucional, movimentos sociais, artistas e a oposição de esquerda exigem que as autoridades federais conduzam a investigação até o fim. O patrimônio do povo mineiro não pode ser leiloado, destruído ou privatizado nos porões do poder econômico.
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