
A privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Copasa, foi finalizada no último dia 16/06 e a empresa Equatorial pagou R$ 5,5 bilhões pelo controle acionário. O valor equivale a cerca de cinco anos de renúncia fiscal, concedida por Romeu Zema (Partido Novo) a partir de 2023, às locadoras de veículos em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público de Contas-MG, a renúncia fiscal de IPVA para locadoras de veículos em Minas Gerais é calculada em R$ 1 bilhão.
A Equatorial, empresa do ramo de energia, comprou 30% das ações da Copasa, em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), e tornou-se a nova controladora da Companhia de Saneamento de Minas Gerais. A privatização deu-se por R$ 49,03 por ação, preço pouco acima do mínimo estabelecido pelo governo de Minas Gerais, que era de $ 47,23, e 15% abaixo do preço de mercado. A ação da Copasa era cotada a R$ 56,19 no dia do leilão.
A Equatorial também controla a Sabesp, em São Paulo, tendo comprado apenas 15% das ações. Após a privatização, feita pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a Sabesp tem se notabilizado pela precarização dos serviços e aumento de tarifas, além de explosões e vazamentos de gás em obras realizadas pela empresa.
Nova composição acionária da Copasa
A Perfin será a segunda maior acionista da Copasa, com 20% das ações. Entre os sócios desta empresa estão José Roberto Ermírio de Moraes Filho (herdeiro do grupo Votorantim e sobrinho-neto de Antônio Ermírio de Moraes) e o banco BTG Pactual.
O Estado de Minas Gerais se mantém acionista com apenas 5% das ações (eram 50,03%). Os demais 45% das ações estão pulverizadas entre outros acionistas nacionais e estrangeiros.
A Copasa teve um lucro de R$ 1,42 bilhão somente em 2025 e o controle acionário custou apenas R$ 5,5 bilhões, ou seja, preço de bananas para empresas que irão lucrar muito, principalmente se reduzirem custos com funcionários e qualidade dos serviços prestados. Privatização é sempre sinônimo de prejuízo, principalmente para a população mais necessitada de políticas públicas de saneamento.
Foto: Alex Ferreira/Arquivo DA