
Em meio à mobilização da população de Sarandi contra o fechamento da única agência dos Correios da cidade, marcado para o dia 28 de maio, o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (SINTCOM-PR) assumiu papel central na articulação política e na denúncia pública. Ao lado da CUT Paraná, a entidade não apenas participou da manifestação na Câmara de Vereadores na última segunda-feira (25), como liderou a construção de respostas concretas contra a medida.
O protagonismo do SINTCOM-PR ficou evidente na divulgação de uma carta aberta à população, na qual o sindicato alertou que a substituição da agência própria por franquias terceirizadas compromete a qualidade do atendimento e o papel estratégico dos Correios em serviços públicos essenciais — como atendimentos do INSS, Receita Federal, emissão de CPF, campanhas de vacinação, distribuição de livros didáticos e realização do Enem. A entidade ainda revelou um dado alarmante: atualmente, 21 bairros de Sarandi já não contam com entrega domiciliar regular.
A presidenta do sindicato, Elisabeth Ortiz, deu voz à denúncia de um processo mais amplo e silencioso. Segundo ela, cerca de 50 agências no Paraná estão sendo fechadas, num movimento que representa "desrespeito ao papel social exercido pelos Correios". A dirigente classificou o caso de Sarandi como evidência de uma "privatização silenciosa", na qual o lucro das franquias se sobrepõe ao atendimento público de qualidade.
O sindicato também denunciou os impactos diretos sobre os trabalhadores, que vêm sendo transferidos compulsoriamente para outras cidades, e reafirmou seu compromisso com a defesa dos Correios enquanto patrimônio público e instrumento de soberania nacional e inclusão social. A fala de Elisabeth Ortiz sintetiza a posição combativa da entidade: "O SINTCOM-PR denuncia o fechamento acelerado de unidades no Paraná, sem diálogo com trabalhadores ou representantes da categoria".
A mobilização liderada pelo sindicato ecoou na Câmara Municipal. O vereador Aparecido Biancho (PT) apresentou requerimento cobrando providências da Prefeitura, e os parlamentares aprovaram por unanimidade uma moção de repúdio contra a decisão da superintendência estadual dos Correios. Em cada um desses desdobramentos — da assembleia à carta aberta, da denúncia pública ao apoio político dos vereadores —, o SINTCOM-PR esteve à frente, consolidando-se como a principal força organizada na resistência ao sucateamento e ao fechamento de agências no Paraná.
Foto: Sintcom-PR