
Na próxima quarta-feira (20), os estudantes da capital paulista realizarão uma marcha até o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo, em mais uma manifestação para denunciar o processo de precarização da educação pública sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A concentração ocorrerá no Largo da Batata, Pinheiros, às 14h.
Estudantes das três universidades estaduais paulistas — USP, Unicamp e Unesp — estão em greve com pautas urgentes: permanência estudantil, moradia digna e financiamento público das instituições. O que começou há mais de um mês na Universidade de São Paulo (USP) rapidamente se espalhou, conquistando a adesão da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e de diversos campi da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Os estudantes denunciam a precarização avassaladora do ensino público: restaurantes universitários servindo comida com larvas, tetos desabando sobre bibliotecas, e uma política de permanência estudantil cada vez mais insuficiente. Eles exigem mais contratações, sem trabalho precário ou terceirizado. Na USP, a greve enfrentou a repressão violenta da polícia, e os estudantes tomaram as ruas contra a intransigência da reitoria de Aluísio Segurado, aliado declarado do governador Tarcísio. Na Unesp, pelo menos seis campi estão em greve, com uma ocupação na capital. Na Unicamp, dezenas de cursos já aderiram à paralisação estudantil nos últimos dias, somando-se a uma forte greve de trabalhadores e à recente adesão de docentes.
Enquanto isso, na cidade de São Paulo, servidores municipais em greve enfrentam os ataques do prefeito Ricardo Nunes. Nas universidades federais como UFABC, Unifesp e UFSCAR, os técnico-administrativos estão em greve há meses, denunciando o descumprimento do acordo firmado na última greve.
Em unidade com os trabalhadores, os estudantes paulistas lutam contra o projeto privatista da extrema-direita de Tarcísio de Freitas para as universidades. Na madrugada do dia 10 de maio de 2026, a ocupação estudantil na reitoria da USP foi alvo de forte repressão policial. A ação truculenta da PM foi duramente criticada pelo movimento estudantil, que registrou feridos, detenções e relatos de violência extrema.
Sabemos que mobilizações politizam o debate sobre os serviços públicos e ajudam a pressionar governantes. Por isso mesmo, a direita que ocupa a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) age para fortalecer mecanismos de repressão contra quem luta. É exatamente isso que representa o Projeto de Lei nº 439/2026, protocolado na Alesp no início de maio. De autoria do deputado estadual Guto Zacarias (Missões), o texto prevê sanções administrativas como a expulsão e o impedimento de matrícula em universidades estaduais por até 15 anos. Autoriza a identificação de alunos envolvidos em atos de luta, o corte de bolsas de auxílio e o veto ao acesso a instituições como USP, Unesp e Unicamp. Professores, reitores e diretores que apoiarem ou se omitirem diante de ocupações e greves poderão ser demitidos e proibidos de assumir cargos públicos estaduais por até 10 anos. A proposta ainda estabelece que a Polícia Militar poderá ser acionada imediatamente e prevê o compartilhamento de dados pessoais e imagens dos manifestantes com as polícias Civil e Militar.
O projeto já recebeu críticas de entidades ligadas à educação. A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgou nota de repúdio, argumentando que o texto criminaliza a mobilização estudantil legítima, atenta contra a liberdade de expressão e fere a autonomia universitária. Mas é preciso ir além das críticas institucionais: é necessário organizar a luta contra essas medidas que visam calar os defensores dos direitos da classe trabalhadora, cada vez mais ameaçados pelas políticas ultraliberais.
As organizações sindicais dos trabalhadores em educação, as centrais sindicais e a União Nacional dos Estudantes (UNE) devem apoiar e engrossar as fileiras dessa luta iniciada pelos estudantes paulistas. É hora de resistir, com unidade e coragem, contra toda a destruição promovida pelo governo Tarcísio de Freitas aos serviços públicos e aos direitos da população.
Acompanhe a tramitação completa da proposição na página oficial do Projeto de Lei nº 439/2026 no portal da Alesp
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