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O manifesto nazifascista da Palantir

A Palantir, gigante estadunidense de gestão de dados para fins militares, publicou no X (ex-twitter) um manifesto xenófobo, belicista e ultranacionalista, de autoria de seu segundo em comando, Alex Karp. O texto de 22 pontos, resumo do livro "The Technological Republic", escrito por Karp e Nicholas W. Zamiska, diretor jurídico da Empresa, descreve um futuro com um Estados Unidos supremacista capaz de monitorar todos os cidadãos e exercer poder por meio da inteligência artificial. Na visão dele, o  Vale do Silício deixará de desenvolver tecnologia para se tornar fornecedor de novas armas de guerra.

Estudioso da ideologia fascista e nazista, Karp diz no manifesto que “Algumas culturas produziram avanços vitais; outras permanecem disfuncionais e regressivas”. Argumenta, então a necessidade do “hard power” (poder militar) para que a civilização ocidental possa prevalecer. O texto também defende o fim da neutralização militar da Alemanha e do Japão.  

A publicação ocorre em meio à queda das ações da Empresa, apesar de ser contratada das Forças Armadas dos EUA. Em matéria publicada no El País, no último dia 27 de abril, o jornalista Jesus Sérvulo Gonzalez ressaltou as duras críticas que o manifesto atraiu. O economista e político grego, de esquerda, Yanis Varoufakis, chamou a visão de "tecnofeudalismo"; Mark Coeckelbergh, professor de Filosofia da Mídia e Tecnologia no Departamento de Filosofia da Universidade de Viena, usou o termo "tecnofascismo" para qualificar o manifesto e Gil Durán, jornalista estadunidense, disse que o manifesto é a "exaltação da violência típica do fascismo". Ao final, Dave Karpf, professor de mídia e assuntos públicos na Universidade George Washington, resume:

"O manifesto é um absurdo, mas pelo menos é breve o suficiente para esclarecer as coisas. A mensagem, tanto do livro quanto do manifesto, é que a Palantir quer ser a fabricante de armas do próximo século. O futuro da indústria bélica reside em software e IA. A Palantir quer que o governo gaste uma quantia excepcional de dinheiro em seus produtos, por favor e obrigado. Todo o resto é conversa fiada. Os Estados Unidos são bons. Os inimigos dos Estados Unidos são maus. O poder militar é bom. O poder brando é ruim. O Vale do Silício e os bilionários da tecnologia são bons. Responsabilizar as elites é ruim. O Ocidente é bom. Todo o resto é ruim".

No pós-Primeira Guerra (1914-1918), o nazifascismo de Hitler e Mussolini, que levou a Alemanha e a Itália a uma guerra ainda pior, nasceu das frustrações, da decadência social da pequena-burguesia e das camadas médias após uma guerra devastadora.

Hoje, o fracasso dos partidos socialdemocratas, que executaram os mesmos planos de austeridade da direita e a fraqueza das propostas socialistas de solidariedade internacionalista, ajudam a compreender o crescimento de uma onda neofascista mundial que reabilita parte do legado da época da Segunda Guerra (1939-1945). Está na ordem do dia da extrema-direita mundial o programa de racismo, xenofobia, militarismo e repressão aos movimentos sociais com partidos que ganham influência em todos os países ocidentais, principalmente nos EUA. Diferente do nacionalismo expansionista, característico da Segunda Guerra, o neoliberalismo austericida atual se tornou uma política global para aumentar a extração de rendas à custa de maior desigualdade, miséria e rebaixamento salarial. Para pôr em prática seus planos de superexploração dos trabalhadores e de usurpação imperialista, a burguesia lança mão do arcabouço ideológico do nazifascismo do século XX e, assim, o neofascismo global mantém suas afinidades supremacistas brancas, de machismo militarista, de pregação do extermínio de adversários e de grupos sociais estigmatizados e de defesa do privatismo contra qualquer tipo de reforma social distributivista ou compensatória.

Ao assistir a emergência do nazifascismo na Europa, no pré Segunda Guerra, um dos líderes da Revolução Russa, Leon Trotsky, escreveu: “o fascismo na Alemanha tem-se convertido num perigo real, como uma aguda expressão da posição indefensável em que se acha o regime burguês, o papel conservador da social-democracia nesse regime, e a impotência acumulada pelo Partido Comunista para derrubá-lo. Quem negar isto, é cego ou um fanfarrão.” Trotsty criticou a política desenvolvida pelo Partido Comunista alemão, o KPD, seguidor da linha de Moscou, sob comando de Stálin, que se recusou a formar uma frente única com o Partido Social Democrata e, assim, levou o nazismo a crescer. A estratégia que Trotsky defende para derrotar o nazifascismo é a da frente única de esquerda.

O manifesto da Palantir explicita o quanto o nazifascismo está avançado na atualidade, agora reconciliado com Israel e o sionismo, mas que encontra outros semitas, os árabes, e outros povos asiáticos, latinos e africanos para discriminar como indesejáveis. Trata-se, novamente, de um plano da burguesia imperialista para manter as riquezas do mundo sob controle das grandes corporações monopolistas. Mas a História não se repete, a não ser como farsa. Portanto, as lições apreendidas da primeira experiência de combate ao nazifascismo podem servir para que haja uma reação diferente desta vez: não outra guerra mundial, mas a criação de um novo e grandioso reagrupamento das fileiras operárias, a Quarta Internacional, cujo objetivo é a total libertação material e espiritual da classe trabalhadora e dos explorados através da revolução socialista. Como disse Trotsky: “se nós não a fizermos, ninguém a preparará, nem a dirigirá”.

A Palantir, gigante estadunidense de gestão de dados para fins militares, publicou no X (ex-twitter) um manifesto xenófobo, belicista e ultranacionalista, de autoria de seu segundo em comando, Alex Karp. O texto de 22 pontos, resumo do livro "The Technological Republic", escrito por Karp e Nicholas W. Zamiska, diretor jurídico da Empresa, descreve um futuro com um Estados Unidos supremacista capaz de monitorar todos os cidadãos e exercer poder por meio da inteligência artificial. Na visão dele, o  Vale do Silício deixará de desenvolver tecnologia para se tornar fornecedor de novas armas de guerra.

Estudioso da ideologia fascista e nazista, Karp diz no manifesto que “Algumas culturas produziram avanços vitais; outras permanecem disfuncionais e regressivas”. Argumenta, então a necessidade do “hard power” (poder militar) para que a civilização ocidental possa prevalecer. O texto também defende o fim da neutralização militar da Alemanha e do Japão.  

A publicação ocorre em meio à queda das ações da Empresa, apesar de ser contratada das Forças Armadas dos EUA. Em matéria publicada no El País, no último dia 27 de abril, o jornalista Jesus Sérvulo Gonzalez ressaltou as duras críticas que o manifesto atraiu. O economista e político grego, de esquerda, Yanis Varoufakis, chamou a visão de "tecnofeudalismo"; Mark Coeckelbergh, professor de Filosofia da Mídia e Tecnologia no Departamento de Filosofia da Universidade de Viena, usou o termo "tecnofascismo" para qualificar o manifesto e Gil Durán, jornalista estadunidense, disse que o manifesto é a "exaltação da violência típica do fascismo". Ao final, Dave Karpf, professor de mídia e assuntos públicos na Universidade George Washington, resume:

"O manifesto é um absurdo, mas pelo menos é breve o suficiente para esclarecer as coisas. A mensagem, tanto do livro quanto do manifesto, é que a Palantir quer ser a fabricante de armas do próximo século. O futuro da indústria bélica reside em software e IA. A Palantir quer que o governo gaste uma quantia excepcional de dinheiro em seus produtos, por favor e obrigado. Todo o resto é conversa fiada. Os Estados Unidos são bons. Os inimigos dos Estados Unidos são maus. O poder militar é bom. O poder brando é ruim. O Vale do Silício e os bilionários da tecnologia são bons. Responsabilizar as elites é ruim. O Ocidente é bom. Todo o resto é ruim".

No pós-Primeira Guerra (1914-1918), o nazifascismo de Hitler e Mussolini, que levou a Alemanha e a Itália a uma guerra ainda pior, nasceu das frustrações, da decadência social da pequena-burguesia e das camadas médias após uma guerra devastadora.

Hoje, o fracasso dos partidos socialdemocratas, que executaram os mesmos planos de austeridade da direita e a fraqueza das propostas socialistas de solidariedade internacionalista, ajudam a compreender o crescimento de uma onda neofascista mundial que reabilita parte do legado da época da Segunda Guerra (1939-1945). Está na ordem do dia da extrema-direita mundial o programa de racismo, xenofobia, militarismo e repressão aos movimentos sociais com partidos que ganham influência em todos os países ocidentais, principalmente nos EUA. Diferente do nacionalismo expansionista, característico da Segunda Guerra, o neoliberalismo austericida atual se tornou uma política global para aumentar a extração de rendas à custa de maior desigualdade, miséria e rebaixamento salarial. Para pôr em prática seus planos de superexploração dos trabalhadores e de usurpação imperialista, a burguesia lança mão do arcabouço ideológico do nazifascismo do século XX e, assim, o neofascismo global mantém suas afinidades supremacistas brancas, de machismo militarista, de pregação do extermínio de adversários e de grupos sociais estigmatizados e de defesa do privatismo contra qualquer tipo de reforma social distributivista ou compensatória.

Ao assistir a emergência do nazifascismo na Europa, no pré Segunda Guerra, um dos líderes da Revolução Russa, Leon Trotsky, escreveu: “o fascismo na Alemanha tem-se convertido num perigo real, como uma aguda expressão da posição indefensável em que se acha o regime burguês, o papel conservador da social-democracia nesse regime, e a impotência acumulada pelo Partido Comunista para derrubá-lo. Quem negar isto, é cego ou um fanfarrão.” Trotsty criticou a política desenvolvida pelo Partido Comunista alemão, o KPD, seguidor da linha de Moscou, sob comando de Stálin, que se recusou a formar uma frente única com o Partido Social Democrata e, assim, levou o nazismo a crescer. A estratégia que Trotsky defende para derrotar o nazifascismo é a da frente única de esquerda.

O manifesto da Palantir explicita o quanto o nazifascismo está avançado na atualidade, agora reconciliado com Israel e o sionismo, mas que encontra outros semitas, os árabes, e outros povos asiáticos, latinos e africanos para discriminar como indesejáveis. Trata-se, novamente, de um plano da burguesia imperialista para manter as riquezas do mundo sob controle das grandes corporações monopolistas. Mas a História não se repete, a não ser como farsa. Portanto, as lições apreendidas da primeira experiência de combate ao nazifascismo podem servir para que haja uma reação diferente desta vez: não outra guerra mundial, mas a criação de um novo e grandioso reagrupamento das fileiras operárias, a Quarta Internacional, cujo objetivo é a total libertação material e espiritual da classe trabalhadora e dos explorados através da revolução socialista. Como disse Trotsky: “se nós não a fizermos, ninguém a preparará, nem a dirigirá”.


Foto: Alex Karp, CEO da Palantir. Kevin Dietsch/Getty Images

 


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