• Entrar
logo

Dois países caribenhos e o império dos EUA

A escalada do terrorismo de Estado, promovida coletivamente por países ocidentais, cresce na mesma medida em que eles se sentem ameaçados pela própria decomposição. Assistimos a uma ampliação das ameaças, que se somam em chantagens, tarifas, sequestros, sanções e guerras por procuração contra nações em diversas regiões do mundo.

O foco agora se volta para países latino-americanos no Caribe, em particular Venezuela e Cuba, que estão na mira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem que isso signifique que os demais estejam livres de risco.

De maneira covarde, Trump desencadeia ações contra populações inteiras, há muito asfixiadas pelo poder estadunidense O recente sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fez com que a Venezuela perdesse o controle estratégico de sua principal riqueza. O petróleo do País — abrangendo desde a extração até as decisões jurisdicionais — passou a operar sob o domínio e a intervenção estadunidense. Isso aprofundou a crise energética que aflige a população cubana, uma vez que a Ilha, de 11 milhões de habitantes, dependia do petróleo venezuelano para 75% de suas importações, complementadas por outros 35% provenientes do México – sendo o petróleo a fonte fundamental da geração de energia no País. Cuba, assim, encontra-se à beira do colapso total, situação que pode levar à fome uma população da qual 89%, segundo relatos recentes (2024-2025), vive em situação de pobreza.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH) indica que a maioria dos cubanos vive com menos de US$ 1,90 por dia – valor utilizado pelo Banco Mundial como parâmetro para definir pobreza extrema. Ainda que o governo cubano garanta serviços básicos como saúde e educação a todos, 62% da população enfrenta dificuldades para adquirir produtos essenciais, 48% deixam de se alimentar por falta de recursos e apenas 15% consegue fazer três refeições diárias.

O petróleo venezuelano, agora sob controle estadunidense, torna-se mais escasso para Cuba e Trump ameaça impor tarifas a países que exportarem o produto, amplificando os efeitos nocivos do embargo econômico que os EUA promovem contra a ilha caribenha desde 1962.

A crise energética cubana tornou-se crônica. Nos anos 1990, após a dissolução da União Soviética (1991), o País perdeu 98% de suas importações de energia, o que desencadeou uma profunda crise econômica. Já a crise de 2024-2026, marcada por apagões conhecidos como da “nova era”, é considerada uma das piores da história nacional.

Em outubro de 2024 e ao longo de 2025, ocorreram colapsos totais do sistema elétrico, com blecautes frequentes em toda a ilha. Em 2026, os apagões permanecem constantes e generalizados, agravados pela redução das importações de petróleo da Venezuela e do México – intervenção direta dos EUA. O governo cubano responde com a racionalização do pouco combustível restante e pedidos de ajuda internacional, enquanto a população tem acesso a apenas três horas de energia por dia.

Torna-se urgente, portanto, a solidariedade latino-americana para que Cuba e Venezuela possam resistir às agressões estadunidenses. Há uma proposta chinesa para desenvolver no país a geração de energia solar, mas, neste momento, é crucial o apoio do governo Lula e dos demais países da região.

 

Foto: reprodução web

 


Topo