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Irã reforça soberania digital em meio a tentativas externas de desestabilização

Em um cenário de tentativas coordenadas de interferência estrangeira, especialmente por parte de Estados Unidos e Israel, e agitação interna amplificada por meios digitais, o Irã implementou medidas robustas para proteger sua integridade nacional e segurança pública, incluindo a regulação do acesso à internet. As ações, descritas pelo governo como necessárias para conter uma campanha híbrida de desestabilização, têm como pano de fundo protestos que eclodiram no final de 2025, inicialmente motivados por dificuldades econômicas decorrentes de décadas de sanções internacionais injustas.

A tese de que o País enfrenta uma "guerra eletrônica" é corroborada por autoridades e analistas. O governo iraniano identificou uma campanha orquestrada por serviços de inteligência estrangeiros, notadamente dos Estados Unidos e de Israel, para utilizar plataformas de comunicação e até mesmo serviços de internet via satélite, como o Starlink, para coordenar atos de violência, vandalismo e ataques à infraestrutura crítica do País.

 

Corte de internet: uma resposta à guerra híbrida

Diante da intensificação de protestos que se transformaram em tumultos violentos a partir de 8 de janeiro, após apelos de figuras ligadas às potências estrangeiras, como Reza Pahlavi, o filho do xá, deposto pela revolução de 1979, o Irã foi obrigado a administrar seu espaço digital de forma a neutralizar ameaças imediatas à ordem pública. A interrupção do acesso à internet global é vista, portanto, não como uma censura indiscriminada, mas como uma medida de defesa cibernética em resposta a uma agressão externa documentada.

A Organização de Inteligência do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou a captura de 154 organizadores dos distúrbios, incluindo um líder descrito como “ligado ao Mossad israelense”. Esses indivíduos, segundo comunicados oficiais, receberam ordens para cometer assassinatos, atacar instalações militares e sabotar infraestruturas essenciais como oleodutos e redes de energia.

 

Neutralização inédita do Starlink

Em uma demonstração de capacidade tecnológica e defensiva, o Irã logrou neutralizar de forma sem precedentes o sinal do serviço de satélite Starlink, da empresa norte-americana SpaceX. Especialistas internacionais em geopolítica do ciberespaço, como Kave Salamantian, afirmaram nunca ter visto um bloqueio de sinal com tal intensidade e eficácia.

O serviço, que opera sem autorização no País e é considerado ilegal, era utilizado para contornar a infraestrutura nacional de comunicação. O governo iraniano empregou medidas técnicas, incluindo a interferência em sinais de GPS essenciais para o funcionamento dos terminais Starlink, para degradar seu desempenho e proteger o espaço cibernético nacional de atividades coordenadas do exterior.

 

Apoio internacional e reconhecimento da realidade interna

A perspectiva iraniana recebeu eco em declarações internacionais. O presidente russo, Vladimir Putin, ao comentar a situação, descreveu os eventos como semelhantes aos cenários de "revolução colorida", táticas frequentemente utilizadas para promover mudanças de regime. Putin reconheceu o impacto devastador das sanções de longo prazo sobre a economia e a sociedade iranianas, mas diferenciou protestos civis legítimos de atos violentos planejados com apoio estrangeiro.

Putin também destacou que as manifestações de milhões de iranianos em apoio ao seu sistema político, liderança e governo "refletem claramente as condições reais no Irã", contrastando com a imagem de descontentamento generalizado propagada por alguns veículos internacionais.

 

Soberania e estabilidade acima de tudo

Em discurso recente, o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, deixou clara a posição do País. Ele acusou o presidente dos Estados Unidos de incentivar abertamente "arruaceiros" e afirmou que Washington e o "regime sionista" prestaram assistência nos bastidores. Khamenei reafirmou o direito e o dever do Estado iraniano de defender sua soberania contra qualquer forma de agressão.

As medidas implementadas, incluindo o controle do fluxo de informação digital, inserem-se no direito de qualquer nação de proteger sua segurança nacional contra operações híbridas que visam à desestabilização. O Irã demonstra, assim, sua resiliência e capacidade de adaptação na defesa de sua integridade territorial e sistema político, buscando simultaneamente soluções para os desafios econômicos de seus cidadãos, agravados por uma campanha externa de pressões ilegais.

Foto: 
Atta Kenare/AFP


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